Materiais especiais para MICS: o que realmente importa (e como não cair em armadilhas e perder dinheiro)

No Brasil, quem quer iniciar um programa de cirurgia cardíaca minimamente invasiva costuma descobrir rápido que o problema não é só aprender a técnica, é adquirir os materiais. Em muitos serviços, o próprio cirurgião assume a compra destes instrumentais especiais, o que torna cada erro de escolha caro e desmotivador. Ao mesmo tempo, o mercado de MICS cresce com instrumentos cada vez mais sofisticados, mas também com muita coisa desnecessária. Além disso, carece de uma boa curadoria.

MICS não é apenas “a mesma cirurgia por um buraco pequeno”. O campo é limitado, o ângulo de trabalho muda e o conflito entre câmera, afastadores e pinças gera certo desconforto ao cirurgião iniciante na técnica. Por isso, instrumentais adaptados (long-shafted e articulados) deixam de ser luxo e passam a ser condição para trabalhar com segurança.

Entre os grupos de materiais mais relevantes, a literatura e a experiência prática convergem em alguns pontos:

  • Afastadores e elevadores de costelas de baixo perfil específicos garantem um afastamento suave e sem fraturas de costelas.
  • Chitwood clamp (clampe de Aorta).
  • Pinças, porta-agulhas e tesouras de haste longa e articulados são imprescindíveis para cirurgias nas pequenas incisões de 3-5cm.
  • Afastadores atriais com haste trans-torácica, que liberam o portal principal e reduzem o “choque” de instrumentos.
  • Dispositivos de auxílio à sutura (empurradores de nós), que são praticamente a única alternativa, atualmente no Brasil, para amarrar as estruturas.
  • Sem falar nos descartáveis como: afastador de tecidos moles (SURGISLEEVE/ALEXIS), cânulas aramadas venosas e arteriais/jugulares, kit introdutor e guias aramadas 0.035, separadores de fios.

O problema das listas “perfeitas” (e caríssimas)

Quem já pediu orçamento para kit MICS completo conhece o roteiro: uma lista enorme de instrumentais, nomes estranhos e um valor que daria para montar uma pequena frota de carros. O problema é que muitas destas listas são confeccionadas por vendedores e baseadas apenas no que tem nos catálogos. Tais listas não atendem as necessidades reais de uma equipe em início de jornada. Além disso, nestas listas costumam ter redundância de materiais e não diferenciam o “nice to have” do imprescindível.

Nossa visão é que a caixa de instrumentos ideal para MICS deve ser construído como se constrói a técnica: em camadas, com progressão. Não é preciso comprar tudo de uma vez. Revisões sobre minimal access em cirurgia cardíaca destacam que long-shafted instruments, um bom afastador e um sistema atrial eficiente já permitem executar grande parte das operações básicas com segurança.

Como vamos ajudar nossos mentorados nessa jornada

Uma das propostas centrais da nossa imersão em MICS é que o cirurgião não volte para casa apenas com vídeos e slides, mas com um plano concreto de implementação, e isso inclui materiais. Na mentoria, atuamos em três frentes:

  • Curadoria de instrumentais: mostramos exatamente o que usamos no dia-a-dia, quais instrumentais consideramos essenciais, quais podem ser substituídas e quais raramente justificam o investimento no início. Essa visão vem de anos de prática em MICS e da vivência com diferentes marcas e configurações.
  • Construção de lista personalizada: ajudamos o mentorado a montar uma lista de materiais alinhada ao tipo de caso que ele quer (e consegue) operar no seu hospital, evitando “copiar e colar” de catálogos prontos.
  • Negociação e acesso: orientamos sobre estratégias de negociação com fornecedores/fabricantes, priorização de compras em etapas e, quando disponível, acesso a condições diferenciadas via parcerias educacionais.

Nosso objetivo é que o cirurgião não se sinta sozinho frente a orçamentos impagáveis ou pressionado a aceitar combos que não fazem sentido. MICS já é tecnicamente desafiadora; o acesso a material não precisa ser mais um obstáculo.

Se você quer dar o próximo passo em MICS, o convite é direto:

venha aprender MICS na prática e, junto com ela, construir um arsenal de instrumentos objetivo, racional e sustentável. Nossa mentoria foi pensada para que você opere melhor, com menos invasão e sem precisar pagar caro por peças que nunca vão sair da caixa.

Referências:

Report: Minimal Invasive Cardiac Surgery Instruments Market Demand and Consumption Trends: Outlook 2026-2034 https://www.datainsightsmarket.com/reports/minimal-invasive-cardiac-surgery-instruments-1771685

Onan B. Minimal access in cardiac surgery. Turk Gogus Kalp Damar Cerrahisi Derg. 2020 Oct 21;28(4):708-724. doi: 10.5606/tgkdc.dergisi.2020.19614. PMID: 33403151; PMCID: PMC7759047.

Doenst T, Lamelas J. Do we have enough evidence for minimally-invasive cardiac surgery? A critical review of scientific and non-scientific information. J Cardiovasc Surg (Torino). 2017 Aug;58(4):613-623. doi: 10.23736/S0021-9509.16.09446-5. PMID: 28580776.

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